Presença de peixe da Amazônia no Rio Araguaia acende alerta entre especialistas: ‘Risco ecológico grande’
15/05/2026
(Foto: Reprodução) Presença de peixe da Amazônia no Rio Araguaia acende alerta entre especialistas
A presença do tambaqui no Rio Araguaia está preocupando os especialistas. Originário da Bacia Amazônica, o peixe é considerado um "oportunista" por se alimentar de tudo o que encontra, o que pode desequilibrar o ecossistema local. Ao g1, o biólogo e professor da Universidade Estadual de Goiás (UEG) Fabrício Teresa explicou que a rápida proliferação da espécieem águas goianas ameaça a biodiversidade e pode trazer prejuízos econômicos à região.
"O risco ecológico é grande e tende, no longo prazo, também a trazer riscos econômicos, já que o equilíbrio do ecossistema é o que garante que a gente tenha pesca e um ambiente conservado", afirmou o pesquisador.
Fabrício explicou que a presença do peixe é o resultado provável de escapes de pisciculturas da região ocorridos há mais de uma década. Segundo o professor, o rompimento de tanques durante grandes chuvas é a principal causa da invasão.
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O pesquisador explicou que a espécie já está plenamente estabelecida e em fase de reprodução no rio. Ele informou que estudos recentes confirmaram a presença de grandes populações, além de ovos e larvas, o que descarta a possibilidade de serem registros pontuais ou isolados na bacia.
Presença de peixe da Amazônia no Rio Araguaia acende alerta entre especialistas: ‘o risco ecológico é grande’
Reprodução/Instagram Fabricio Teresa
"O tambaqui tem um hábito oportunista, quer dizer, ele come o que tem disponível. E come fruta da época; come até peixes, larvas, come pequenos organismos chamados zooplâncton, come plantas. Por ter esse hábito oportunista, ele pode estar comendo várias espécies nativas", destacou.
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Comportamento alimentar
Um dos principais problemas apontados é o comportamento alimentar do peixe, que consome desde frutas e plantas até larvas e pequenos organismos. Por ser oportunista, ele encontra condições ideais para prosperar, competindo diretamente por recursos com espécies locais, como a caranha.
"Como ele é um peixe que fica às vezes nadando contra a corrente, filtrando a água... se ele está comendo zooplâncton, ele deve também consumir ovos e larvas de peixes durante a piracema, porque esses ovos e larvas vão descendo o rio", disse.
O professor alertou ainda para o risco de hibridização, já que o tambaqui pode cruzar com peixes nativos e gerar descendentes férteis. Esse processo pode causar a deterioração genética de espécies do Araguaia, além de introduzir parasitas para os quais a fauna local não possui defesa.
Embora o tambaqui tenha agradado pescadores esportivos pelo vigor na pesca, o especialista reforça que o benefício imediato esconde uma ameaça futura. Ele explicou que o desequilíbrio ecológico pode, a longo prazo, prejudicar a própria atividade econômica e o turismo da região.
Para tentar controlar a população, a recomendação atual é que os pescadores realizem o abate e retirem o peixe do ambiente sempre que pescá-lo. O professor ressaltou que a legislação permite essa prática como uma forma de contribuição para conter o avanço da espécie invasora.
Tambaqui é o peixe considerado o 'invasor do Araguaia'
Arquivo pessoal/Fabricio Teresa
‘Invasor do Araguaia’
Para entender profundamente esses impactos, o professor coordena o projeto multidisciplinar "O Invasor do Araguaia: estudo multidisciplinar dos padrões ecológicos e genéticos do tambaqui". O estudo analisa a dieta e a reprodução da espécie. O mesmo estudo busca detalhar como o peixe interage com o ecossistema para subsidiar estratégias de conservação e manejo.
Nas redes sociais, o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia da Biodiversidade e Uso Sustentável de Peixes Neotropicais (INCT Peixes) e o professor Fabrício compartilham vídeos sobre o trabalho de pesquisa do tambaqui no Rio Araguaia.
O professor explicou em vídeos que o tambaqui é muito cultivado na aquicultura, e as pessoas gostam de consumi-lo, mas ele não é natural da bacia do Araguaia e pode ameaçar a manutenção de espécies pequenas.
“Será que essa espécie, apesar de ser boa pra pescar, não vai fazer a gente pescar menos outras espécies que a gente quer?", destacou Fabrício.
Biólogo e professor Fabricio Teresa é coordenador de projeto que estuda a invasão do tambaqui que no Rio Araguaia, Goiás
Reprodução/Instagram Fabricio Teresa
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